Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Um pequeno sorriso

Mais um texto totalmente inventado :

 

 

Estava na festa de Natal da escola, sentada numa das bancadas, com a flauta na mão, preparada para tocar músiquinhas de Natal, e fazer figura de parva, à frente de pais e professores. O meu cabelo castanho e liso com madeixas de várias cores ainda não tinha sido insultado, nesse dia, ou pelo menos durante as últimas horas. A minha camisola rosa e amarela não estava a dar muito nas vistas (felizmente), e os meus ténis não estavam a ser motivo de  gozo, digo isto porque o ténis da esquerda é rosa, e o da direita é verde. Soou a valsa que tinhamos de tocar pelas grandes colunas que estava no auditório, comecei a tocar. Sentia-me mole e calma. Bastante calma, até. A música que ainda tocava na minha cabeça tinha acabado, agora podia ouvir á minha frente a plateia a bater palmas, mas a mim soava-me a falso. Desde pequenina que nunca gostei de palmas, achava aquele barulho bastante ruim e ainda o acho, mas toda a gente que conheço até agora adoram,e acham que um aplauso é um elogio doce,  já eu que tenho de estar sempre contrariada não acho. Tinha agora começado a segunda música, que tinhamos de cantar, a música era agradável. Cantei com a minhas voz fina. Senti um toque suave no meu ombro, olhei para trás, o D. estava por baixo da bancada a susurrar qualquer coisa, que eu não consegui perceber ou simplesmente ouvir. Acabou nesse momento a segunda música. Saltei da bancada. Puxou o meu braço, senti os olhares das minhas colegas sobre mim, talvez de contentamento por se terem livrado de uma miúda na opinião delas maluca, ou talvez de indignamento porque elas também queriam sair dali, e também achavam aquilo tudo rídiculo e uma palhaçada. Corremos os dois, para a entrada. A porta era de vidro, esta estava embaciada, e podiamos ver gotas de chuva a escorrerem. Abrimos a porta. Sentamo-nos na escadas que muito rápidamente percebemos que estava molhada, mas não nos mexemos. Não fálamos pois pelo menos eu não queria estragar aquele silêncio. Esperei por ouvir algo da voz dele, quando ele olhou para mim para dizer alguma coisa, disse para ele se calar. Ele sorriu. Abraçou-me e ficámos assim por alguns minutos. Ouvi passos, ambos nos escondemos atrás dos arbustos. O espetáculo parecia ter acabado, toda a gente estava a ir-se embora. Por instantes pensei, como é que um rapaz 'normal' como o D. podia me amar a mim? Uma rapariga doida, com um estilo diferente a todas as outras raparigas, solitária, indiferente a tudo e a todos, com madeixas de várias cores no cabelo, que se pinta com sombras pretas e batom preto, que usa ténis de cores diferentes, que é arrogante e fria, que nunca mostra um sorriso, que nunca demonstra nenhum carinho por ninguém e que é simplesmente o oposto dele?

 

Beijinhos

 

sinto-me: calma
publicado por Mafa às 14:25
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2 comentários:
De Coraçãodemanteiga a 19 de Dezembro de 2010 às 21:50
já te adicionei, beijinhos (:
De Mafa a 19 de Dezembro de 2010 às 22:23
obrigado a sério : D
BEIJINHOS

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